LITERALMENTE

dezembro 23, 2018
Ilustração linda da Brunna Mancuso
Esses dias eu fiz um curso de escrita criativa. Eu queria fazer uma coisa diferente, só pra me distrair, achei esse curso e fui fazer. O grupo era legal, cada um dentro de uma realidade diferente, mas todos em um mesmo ponto, a escrita como forma de expressão. Tinha o engraçado, o sarcástico, o poeta, o desfuncional, e eu, a literal.

Ser literal não é não ser criativo, não é ser o chato, nem o sério, é só enxergar a vida, ou tentar pelo menos, exatamente como ela é, como ela se mostra, com todas as suas viceralidades.
Eu sempre fui assim. Pra mim um ponto é um ponto, nunca vou falar que se aumentamos ele podemos ter um buraco, ou a abertura de um poço, pois um ponto sempre será um ponto. Não existe um meio certo, um meio errado, as coisas são sempre pretas ou brancas e raramente são cinzas. E o legal nesse curso foi que eu vi exatamente isso.

Percebi e entendi que as áreas nebulosas e sem definição são um grande medo pra mim, e isso faz com que ao mesmo tempo eu seja ansiosa, e dramática, e tem dia que nem a literalidade da maioria dos meus dias se salva.

Nem todo mundo entende essa confusão, e eu já fui taxada de grossa, de insensível, de metida, simplesmente por ter esse jeito. Ok, minha timidez não me ajuda muito, e com toda certeza ajuda na rotulação, mas quando se é literal, a gente aprende a conviver com essas coisas. A gente aprende que a maioria das pessoas não vai te entender, ou não vai aceitar tão tranquilamente as coisas que falamos. Aprendemos que vamos machucar muitos amigos e pessoas queridas no caminho, mas que com o tempo, tudo passa.

Pois é, ser meu amigo é uma barra, porém com o tempo você se acostuma.

Voltando ao curso, aprendi, além de tudo que, minha literalidade me faz única, me faz ser quem sou, e faz meu texto ser quem ele é. Escrever é colocar no papel tudo aquilo que está aqui dentro, exprimido só querendo uma abertura para escapar. É transformar sentimentos em algo concreto. Aliás, toda forma de arte é isso, é exposição. Não existe arte sem a exposição do artista. A gente só tem formas diferentes de fazer isso.

(A ilustração é da Brunna Mancuso, uma ilustradora que merece ser seguida, e você merece o calendário dela, só acho)

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